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terça-feira, 23 de agosto de 2011

Uma nova linguagem para a internet



Foto: Cláudio Tavares

Já vivemos a era do cérebro global, e ele é representado pela internet e todos que a utilizam. O filósofo da cultura da internet, o tunisiano Pierre Lévy, abordou o assunto na conferência “Horizontes do conhecimento na era digital”, que aconteceu às 20 horas de hoje (23) na 14ª Jornada Nacional de Literatura. Autor do conceito de inteligência coletiva, ele é um defensor ferrenho da internet como uma forma de democratização da cultura.

Durante a conferência, Pierre apresentou mapas e esquemas didáticos que mostram a sua concepção de uma nova linguagem para nortear e avaliar o sentido dos dados trocados pela rede. “Trata-se de uma utopia linguística, mas que pode se tornar real e mudar a maneira como lemos e escrevemos”, disse em um inglês temperado pelo sotaque francês. Essa língua seria capaz de categorizar dados como se quiser, incorporando significados. “Esses significados não são absolutos, por isso costumo chamar isso de jogos de interpretação coletiva.”

Relacionando o universo material e espiritual (da cultura simbólica), ele reforçou que estamos explorando novas relações mentais a partir do uso extensivo dos computadores e da internet. Isso estaria transformando a nossa habilidade cognitiva. “O aumento da capacidade de gravar e armazenar dados continua crescendo, e podemos transmitir informações de qualquer lugar para outro”, disse. “Estamos apenas no começo desse processo e precisamos refletir sobre isso. Ainda não sabemos como usar todo esse potencial.”

Para ele, a exploração das mídias digitais deveria estar a serviço do processo de recepção e transmissão de cultura. “Estamos vivendo um grande momento de transformação, que considero tão importante quanto a transição da cultura oral para a escrita”, destacou.

Confira as atrações da Jornada nesta terça

A Jornada já começa a todo vapor nesta terça-feira! O Gato Gali-Leu, Natália e Mil-Faces abrem a 6ª Jornadinha, às 9 horas. Em seguida, às 10, Maurício de Sousa fala com seus pequenos leitores, logo antes do show “O elefante e a joaninha”, de Hélio Ziskind e Banda.

Além da Jornadinha, a manhã reserva boas atrações. Entre elas estão o 10º Seminário Internacional de Pesquisa em Leitura e Patrimônio Cultural – que conta com personalidades como o presidente da Fundação Biblioteca Nacional e o Vice reitor da Universidade de Huelva, na Espanha -, no Auditório da Odontologia, e o 4° Encontro da Academia Brasileira de Letras, com Domício Proença Filho e Geraldo Holanda Cavalcanti.

Vale conferir o 3° Encontro Estadual de Escritores Gaúchos que traz ao Auditório do Centro de Educação e Tecnologia (prédio B3) uma discussão sobre o tratamento literário dos aspectos urbanos. Para tanto, foi escalado um grupo devidamente heterogêneo: nada menos que Flávio Ferrarini, Paulo Neves, Vitor Ramil, Edgar Vasques e o novato Ismael Caneppele .

À tarde, às 14 horas, o foco no picadeiro principal é o aguardado debate “Literatura e arte na era dos bits”, que reúne Giselle Beiguelman, Marcia Tiburi, Maurício de Sousa, Peter Hunt e Luisa Geisler (esta, vencedora do Prêmio SESC de Literatura de 2010). Ainda no mesmo local, Cid Campos apresenta sua música (19h) e o filósofo tunisiano da cibercultura, Pierre Lévy, encabeça uma conferência (20h).

Começa hoje a grande novidade da programação. É a Jornight, na Lona Vermelha, a partir das 19h30, com a participação de Elisa Lucinda com “Parem de falar mal da rotina”.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

A era da inteligência coletiva

Crédito: Arquivo UPF

A tecnologia e sua influência no universo da leitura, em torno de uma rede, será uma das principais discussões da 14ª Jornada de Literatura. E ninguém melhor para falar sobre o tema do que o filósofo da informação tunisiano, Pierre Lévy. Ele faz uma conferência às 20 horas, no primeiro dia de encontros, 23 de agosto.

Expoente do estudo da cibercultura, aos 54 anos, ele é titular da cadeira de pesquisa em inteligência coletiva da Universidade de Ottawa, no Canadá. Seu trajeto acadêmico inclui a formação da Universidade de Sorbonne: cursou um mestrado em História da Ciência e doutorado em Sociologia e Ciência da Informação e da Comunicação.

Foi ele justamente quem criou o interessante conceito da Inteligência Coletiva: a internet, por exemplo, seria uma interface onde as inteligências individuais são somadas e compartilhadas pelo sociedade. É como se a rede fosse um grande ecossistema de ideias, no qual as informações são trocadas e selecionadas por cada um. Para ele, a tendência é que a humanidade se organize cada vez menos em padrões formais, e que valorize de forma crescente o aprendizado cooperativo e a inteligência coletiva.

Suas teorias são descritas de modo lírico e profético em seus livros, 12 dos quais foram publicados no Brasil. Entre eles, destacam-se “Cibercultura” (Editora 34, 1999), “O que é o virtual?” (Editora 34, 1996) e “A inteligência coletiva: por uma antropologia do ciberespaço” (Loyola, 2000).