terça-feira, 19 de julho de 2011

O bom vírus da leitura, segundo Heloisa Seixas



A escritura de Heloisa Seixas não se prende a faixas etárias. Autora versátil, ela tem sete livros de literatura adulta publicados, quatro romances e três de contos, e até mesmo um de não-ficção. Mas também escreveu um livro infantil, “Histórias de bicho feio” (Companhia das Letrinhas, 2006) e outros para jovens como “Frenesi” (Rocco, 2006), com contos de terror; “Uma ilha chamada livro” (Record, 2009), com crônicas sobre ler e escrever; e “O prazer de ler” (Casa da Palavra, 2011), sobre leitura. Durante a 6ª Jornadinha, será discutido o seu livro “Contos mais que mínimos” (Tinta Negra, 2010), que contém minicrônicas, destinado a jovens adultos. Ela estará presente no dia 26 de agosto, das 14 horas às 16h30 na Lona Verde.

Em sua opinião, o mais importante é mostrar que ler é um prazer, e não uma obrigação. “É importante levar livros para as crianças, sejam clássicos ou não. Quando se consegue inocular nos jovens o vírus da leitura, isso fica como algo eterno, que não se apaga.”

Também acredita que a tecnologia possa ser uma aliada da leitura, quando bem empregada. “Você pode ler um clássico da Jane Austen num Ipad e ele continuará sendo um clássico da Jane Austen. E, mesmo com toda a informação disponível, o livro será sempre atraente para o jovem - pois só ele permite que o leitor seja coautor e não um mero espectador.”

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Literatura fantástica e games habitam o universo de Christopher Kastensmidt



Tarimba não falta ao norte-americano Christopher Kastensmidt, que vive há dez anos no Brasil. Durante a 6ª Jornadinha Nacional de Literatura, ele irá discutir a sua novela “O Encontro Fortuito de Gerard van Oost e Oludara”, baseada no Brasil colonial do século 16, no dia 25 de agosto, para alunos do 6º ao 9º ano, das 14 horas às 16h30, na Lona Vermelha, juntamente com Sérgio Capparelli. No dia 26, ele também vai participar de uma conversa paralela no auditório do Centro de eventos, das 9h30 às 10h30, para o público de pré-adolescentes e adolescentes que não está inscrito na 6ª Jornadinha.

Esta pequena novela foi uma das finalistas de uma das premiações mais importantes do mundo de literatura fantástica do mundo, o Prêmio Nebula. “A história trata de um holandês e um africano que se encontram em Salvador e começam uma série de aventuras. Ela mistura detalhes históricos com folclore nacional. Ao longo da série, os aventureiros vão conhecendo todos os brasileiros da época: índios, bandeirantes, jesuítas, escravos e outros”, conta o autor, que diz ser uma grande honra participar pela primeira vez da Jornadinha.

Ele que desenvolveu também uma série de games e é especialista em narrativas digitais, acredita que o segredo para atrair o interesse dos pequenos pela leitura é a variedade. “Cada pessoa é diferente, e se um gênero não agrada uma criança, temos que ter outros na mão para oferecer. O importante é encontrar algo que dispara o interesse daquela criança, porque o leitor é formado ou perdido na infância”, diz. “Não precisamos receber exatamente a mesma base cultural. Importante é ter cultura. A leitura, como uma árvore, vai expandindo após a semente ser plantada, não interessa qual que seja aquela semente.”

Assim como acontece na Jornada, na Jornadinha os pequenos leitores também lêem as obras dos autores presentes com antecedência para se prepararem para os debates. “Conhecimento da obra sempre ajuda na conversa. A leitura deixa a criança refletir e chegar à conversa com sentimentos e perguntas a expor”, acredita o autor. Em tempos de internet, tablets e outras plataformas de leitura, como ele, que trabalha com novas tecnologias, pensa que o interesse pelo livro impresso deveria ser estimulado? “É importante lembrar que o livro impresso não é a única forma de leitura. Hoje em dia temos pessoas que preferem o livro eletrônico, que pode ser lido nos celulares, tablets e outros aparelhos que dominam o nosso tempo. Então, por um lado, esta mesma tecnologia ajuda a difundir a leitura”, comenta. “Quando estas tecnologias chegam às escolas, podemos ver uma revolução de leitura. O número de cópias do livro não será mais uma preocupação. Com tecnologia digital, todas as crianças na escola podem ter acesso ao mesmo livro ao mesmo tempo.”

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Leonardo Brasiliense traz seus contos para a Jornada


O escritor Leonardo Brasiliense participará pela primeira vez da Jornada de Passo Fundo com o livro “Whatever”, da Editora Artes e Ofícios. Ele estará na Lona Azul ao lado de Giba Assis Brasil no dia 26 de agosto, na 6ª Jornadinha Nacional de Literatura e, em seguida, autografará sua obra.

Leonardo nasceu em São Gabriel/RS, formou-se em Medicina na Universidade Federal de Santa Maria e atualmente trabalha na Receita Federal. É autor dos livros O desejo da Psicanálise (Sulina, 1999), Meu sonho acaba tarde (WS Editor, 2000), Desatino (Sulina, 2002), Adeus conto de fadas (7 Letras, 2006, Prêmio Jabuti de Melhor Livro Juvenil em 2007), Olhos de morcego (7 Letras, 2007), Whatever (Artes e Ofícios, 2009) e Três dúvidas (Companhia das Letras, 2010). Tem publicado contos, minicontos e artigos em periódicos, antologias e sites literários, e é membro da Associação Gaúcha de Escritores.

Para ele, uma das formas de levar leitura de qualidade para as crianças é indicar os clássicos infantis: “Os clássicos ajudaram a formar o imaginário das gerações anteriores. Esse elo não pode se perder. Só se constrói um grande edifício mantendo os andares de baixo, senão tudo cai, ou ele nunca vai ser alto.

Entusiasmado com a leitura previa de seu livro pelas crianças participantes da Jornadinha, o escritor disse que essa iniciativa faz muita diferença na hora da conversa: “Espero que a obra consiga falar com eles muito mais do que eu mesmo”. Seu livro tem dez contos protagonizados pelo jovem João Pedro, que parece desanimado com os estudos e com a vida. A obra retrata sua relação com a escola, os colegas e a família, além das incertezas quanto ao futuro nos últimos anos do Ensino Médio.

Sobre o tema desta edição “Leitura entre nós: redes, linguagens e mídias”, Leonardo acredita que o problema é como utiliza-las em benefício da leitura : “Todas elas podem servir para incentivar a leitura, o que sabemos não ser a realidade hoje. Eu quero ter filhos logos e saber como incentiva-los para a leitura. Todo esse panorama me assusta.”

Para saber mais sobre o autor confira o site http://www.leonardobrasiliense.com.br) e o blog http://leonardobrasiliense.blogspot.com/).

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Esforço e recompensa da leitura

Foto: Divulgação/Natália Piserni

Às 14h do dia 25 de agosto, na Lona Azul do Circo da Cultura da Universidade de Passo Fundo, Cláudio Fragata dialogará com um público cativo: leitores de suas obras, cursando do 6° ao 9° ano escolar. Em sua primeira participação na Jornadinha, o autor deve discutir com os presentes sobre seu livro "Zé Perri", que conta sobre as várias visitas do escritor Antoine de Saint-Exupéry (autor do clássico "O Pequeno Príncipe") ao Brasil, mais especificamente a Florianópolis, quando trabalhava como piloto de avião.

Sobre as possibilidades para as crianças na conversa, Fragata diz: "Elas terão mais chances de interagir com o autor. Tirar dúvidas, matar a curiosidade, dizer o quanto gostaram (assim espero!)". A preparação para este encontro, com leitura prévia das obras em discussão no evento, foi feita ainda nas salas de aula, na Pré-Jornadinha e visa a aproximar ainda mais leitor e autor.

A respeito da necessidade de motivar nos jovens o interesse pelo livro impresso, Cláudio Fragata declara: "Não acredito que as novas mídias ameacem o livro. Não há nada parecido com um livro. Um livro será sempre um livro, algo para se manusear, folhear, olhar e mergulhar fundo em suas páginas, imaginar, voar".

Apesar da magia do livro, Fragata também pode ser lido na internet: está disponível em perfil no Facebook e em seu site oficial, que traz histórias, fotos, entrevistas e outras coisas mais aos leitores virtuais.

Ele considera importante a criação de um ambiente de leitura, que, por outro lado, não deve deixar de dividir espaço com internet, videogame, iPod etc. A proximidade do livro, seja nas mãos de parentes, seja frequentando bibliotecas e livrarias, ajuda a criar o ambiente para frutificar o hábito da leitura. Por isso, conclui: "Porque ler não é milagre. Exige esforço e estratégia. Em outras palavras, educação. Aquela que começa em casa. Não dá para passar essa responsabilidade aos professores. Eles também não fazem milagres".

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Bagagem acumulada em missões jornalísticas


O jornalista potiguar Murilo Melo Filho tem mais de 70 anos de experiência profissional e é um dos literatos presentes no 4° Encontro Nacional da Academia Brasileira de Letras, no dia 26 de agosto, na Jornada de Literatura de Passo Fundo.

Não é exagero afirmar que ele viveu de perto momentos históricos da política do século XX: uma de suas primeiras lembranças é ter presenciado, aos sete anos, o levante comunista ocorrido em Natal em 1935.
Em sua longa carreira, viu de perto a construção de Brasília, acompanhou Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, João Goulart, Ernesto Geisel e José Sarney em missões jornalísticas. Estas também Garantiram entrevistas com figuras como Charles de Gaulle, Ernesto "Che" Guevara, Richard Nixon, Dwight Eisenhower, Fidel Castro, Ho Chi Minh, entre muitos outros.

No exercício da profissão, teve também a oportunidade de se relacionar com jornalistas ilustres como Câmara Cascudo, Carlos Lacerda e Júlio de Mesquita Filho. Cerca de cinquenta anos antes de ser imortalizado pela Academia Brasileira de Letras, Murilo Melo Filho costumava frequentar sessões da instituição com amigos. Em 1999, passou a ocupar a cadeira n°20.

Sua produção literária é predominantemente política, histórica e jornalística e bastante - embora não exclusivamente - voltada ao cenário brasileiro. Sua experiência certamente enriquecerá os debates com Alberto Venâncio Filho, escritor também presente neste dia do Encontro.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Marcos Vilaça à frente dos escritores da ABL



A Academia Brasileira de Letras foi fundada pelo escritor Lúcio de Mendonça e teve sua primeira sessão em 20 de julho de 1897, presidida por Machado de Assis. O autor dedicou-se até o fim da vida à instituição literária que tem a cultura da língua e da literatura nacional como objetivo. A ABL é composta por 40 membros efetivos e perpétuos, os literatos conhecidos como "imortais", dos quais oito prestigiarão pessoalmente os 30 anos da Jornada de Literatura de Passo Fundo.

Marcos Vinicios Rodrigues Vilaça, atual presidente da ABL, só tem elogios para a Jornada e seus 30 anos. Ocupante da Cadeira n° 26 desde o ano de 1985 (é o sétimo a preencher este espaço), está desde 2005 na presidência da instituição. Ele já passou uma vez pela Jornada, participando, a convite da Coordenadora Tânia Rösing, do que descreveu como "conferências de acadêmicos sobre clássicos da literatura brasileira".

Tais conferências compõem o programa dos Encontros Nacionais da ABL, que integram pela quarta vez a programação da Jornada de Literatura. Este ano, ele abre o Encontro ao lado de Domício Proença Filho, no dia 23 de agosto, às 8h30, no Auditório da Faculdade de Odontologia da Universidade de Passo Fundo.

Participante de diversas instituições nacionais, Vilaça reconhece a importância do evento bianual de Passo Fundo: "As Jornadas trazem a literatura brasileira para o centro das atenções. Aproximam obras e escritores do grande público. Convertem-se em eficiente ente motivador da leitura de literatura. Em especial, com as 'Jornadinhas', constituem importante veículo de iniciação ao prazer de ler".

Vilaça entende que o preço dos livros é o principal entrave para o acesso à leitura no Brasil e, ainda neste âmbito, teoriza sobre o desenvolvimento do hábito da leitura nos jovens: a atividade deve se dar "a partir da motivação e da escolha, sem imposições". Além disso, aponta para a importância de medidas como a digitalização e disponibilização gratuita de acervos de domínio público e a troca de experiências por meio de encontros nestas iniciativas fomentadoras de cultura no país.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Mercado e criação literária para jovens leitores



A brasileira Maria Dolores Prades vem se especializando na literatura infanto-juvenil, através de diversos ângulos. Ela acaba de assumir o cargo de curadora da Babel Jr., o selo de literatura para jovens leitores da editora Babel. Como publisher e gestora, há onze anos o seu foco são os livros para essa faixa etária. Por outro lado, ela desenvolveu pesquisas sobre essa área e vem participando dos principais seminários nacionais e internacionais. E, como não poderia deixar de ser, no dia 23 de agosto, das 8h30 às 11h30, ela estará presente pela terceira vez na Jornada Nacional de Literatura, na mesa Mercado e criação literária, que faz parte do Simpósio Internacional de Literatura Infantil e Juvenil - Literatura para crianças e jovens: um novo pensamento crítico.

Em sua opinião, um dos maiores entraves para a leitura entre crianças e jovens é a carga que vem com a disciplina escolar. “Isso acaba contrariando a própria natureza da leitura como atividade autônoma e a relação única e singular entre um leitor e o texto literário”, comenta. Para ela, a receita para envolver os professores na magia da leitura é simples: “é preciso formá-los leitores”.

Ela avalia de modo positivo a mania dos jovens pelas redes sociais virtuais, na perspectiva de virem a ser canais de entrada no universo da leitura. “Essas crianças que estão ligadas às redes sociais estão lendo. Não podemos reduzir a leitura a uma única forma. Se essa leitura vai ou não contribuir para a formação de leitores futuros, literários, críticos, essa é outra questão”, acredita. “Nesse sentido, acho que o prejuízo pode vir se a atividade desses jovens e dessas crianças se reduzir a isso. Se eles não tiverem modelos de leitura próximos, se o livro não for um objeto familiar, com ou sem redes sociais, a probabilidade dessas crianças e desses jovens serem leitores é bem distante.”