A 14ª Jornada Nacional de Literatura é realizada a partir do empenho de seus idealizadores e parceiros, mas também ao patrocínio de empresas como Petrobras, Banrisul, Grupo CEEE e SESI, que acreditam na missão de formar novos leitores e incentivar a literatura. A Eletrobras, BNDES, OI, Ambev, Braskem, Coca Cola, Fonte Ijuí, Lojas Colombo, RGE, Hospital São Vicente de Paulo, BS BIOS Energia Renovável, Farmácias São João, Banco do Brasil, Grupo Grazziotin, Unimed, Italac, Kozma Diagnóstico por imagem, Hospital da Cidade, Oniz Distribuidora e Azambuja também investem, reconhecendo a importância do encontro.
Ao lado dos patrocinadores, há também os apoiadores da Jornada deste ano: Fundo Nacional de Cultura, OI Futuro, Correios, Sistema Fecomércio-RS, SESCSP, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, Trevisan Construção civil, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul, Câmara Brasileira do Livro, Organização dos Estados Ibero-Americanos e Câmara do Livro e CEXECI (Centro Extremeño de estudios y cooperación con Iberoamérica).
A organização da Jornada contou ainda com a cooperação da UNESCO e financiamento do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação, da Lei de Incentivo à Cultura, do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, dos Ministérios da Educação, da Cultura e do Turismo e do Governo Federal.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Contagem regressiva
Falta pouco para a Jornada: a lona principal do Circo da Cultura começa a ser montada na segunda-feira, dia 15 de agosto, no Campus I da Universidade de Passo Fundo.
A montagem começou em julho e envolve o trabalho de cerca de 30 pessoas, em uma área de 4.780 m², que compreende as pirâmides da praça de alimentação e da feira do livro, a tenda do palco de debates, o Centro de Eventos e as cinco lonas da Jornadinha e Jornight.
A 14ª Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo acontece entre os dias 22 e 26 de agosto e você pode saber mais sobre ela entrando no endereço http://www.jornadadeliteratura.upf.br
Uma nova maneira de olhar o mundo
Miriam Gabbai é diretora da Callis Editora, Diretora Presidente do Instituto Callis e artista plástica, formada em História pela PUC /São Paulo e graduada em Belas Artes pela School of the Museumof Fine Arts, da Universidade de Massachussets.
Ela já participou da Jornada 2005 e 2007 e desta vez falará dia 23 no Simpósio Internacional de Literatura Infantil e Juvenil sobre “Mercado e criação literária”. Quando analisa os problemas que envolvem as dificuldades para incentivar a leitura entre crianças e jovens, ela diz que o mais básico é a falta de um aprendizado eficiente de leitura. “Em grande parte dos casos, a alfabetização não é feita de maneira efetiva. Assim, a leitura requer um grande esforço por parte da criança e do jovem, maior do que o necessário para um leitor formado, e eles acabam recorrendo a atividades mais "fáceis" nos momentos de lazer, deixando a leitura apenas como obrigação da escola. “
Também considera a necessidade de estabelecer o hábito da leitura, como fundamental para a formação de leitores. “Esse hábito se cria através de exemplo. Porém, os pais têm hoje menos tempo para ler com os filhos e isso prejudica o estabelecimento desse hábito. Em outros casos, ainda, existe uma exposição excessiva das crianças e jovens a outras fontes de informação, mais rápidas e atrativas visualmente, como tv, cinema e jogos. O ritmo da leitura é um pouco menos dinâmico, requer maior concentração e, como não é um ato passivo como assistir televisão, solicita mais da pessoa. Então, novamente, exige maior esforço e isso geralmente não é encarado com simpatia pelas crianças e jovens.”
Seu conselho para envolver os professores na magia da leitura é que eles não sejam tratados da mesma forma que os alunos que não têm esse hábito: “ É preciso incutir neles o interesse pela leitura, para que descubram o prazer de ler e tornem-se leitores habituais. Acredito que para envolvê-los devemos buscar apresentar temas que sejam do seu interesse, mostrar livros com textos envolventes e, principalmente, respeitar a opinião do professor sobre os livros que leu e sobre suas expectativas em relação aos que quer ler. Muitos professores, também, não frequentam a bilbioteca da escola, não levam livros para casa e, as vezes, nem tem livros em casa. Isso interfere na relação que esse educador estabelece com o livro, que passa a ser algo distante e de acesso restrito.”
Miriam não acredita que a internet e as redes sociais prejudiquem a leitura. “Vejo-as como outra forma de comunicação, outro ambiente para aquisição de conhecimento. Os jovens hoje têm um modo"multitarefa" de agir, o que não quer dizer, necessariamente, que falte foco ou atenção a eles. É uma maneira diferente de olhar o mundo. A internet obriga a pessoa a ler, mesmo que seja em uma linguagem cifrada, porque os textos nesse suporte são mais dinâmicos, mais curtos, mais sintéticos mesmo. Isso não significa que não sejam textos que colaborem para a formação de leitores. Além disso, muitos jovens escrevem em blogs, forums e outros locais na internet, o que os faz exercitar seus recursos de leitura e escrita.”
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Mário Quintana, o homenageado da primeira Jornada
Em 30 anos, muita coisa muda. Isso se aplica à maioria das pessoas e coisas na vida, inclusive às Jornadas de Literatura de Passo Fundo. Em sua primeira edição, tinha um porte muito menor que o atual: Intitulada I Jornada de Literatura Sul-Rio-Grandense, era focada exclusivamente na produção literária do estado gaúcho. Tanto isso é verdade que o mote principal da programação de 11 a 15 e agosto era “Uma análise da mais pura expressão cultural sul-rio-grandense”.
Nesta época, intercalavam-se três atividades: conferência individual dos escritores, debate com o público e debate entre escritores. Além disso, para último dia estava prevista uma homenagem para os convidados. Um time de estrelas da pena foi escalado para esta reunião inaugural: Antônio Carlos Resende, Armindo Trevisan, Carlos Nejar, Cyro Martins, Deonísio da Silva, Josué Guimarães, Moacyr Scliar, Sergio Caparelli. Além destes nomes todos, um já nacionalmente reconhecido poeta, Mário Quintana, foi também convidado, na condição exclusiva de homenageado. Entretanto, às vezes nem tudo o que está no protocolo transcorre como programado; isso fica claro em mais um relato da professora Tania Rösing, extraído do primeiro volume do Anedotário da Jornada, que você pode ler abaixo.
Homenagem ao poeta
Na primeira edição sul-rio-grandense da Jornada, em 1981, Josué Guimarães convidou o grande poeta gaúcho para participar do evento. Aos 75 anos, o mais querido poeta do Rio Grande do Sul estava muito lúcido, mas não tinha disposição para ministrar uma conferência. Dispôs-se a vir com Josué e Nydia para responder a perguntas, dar autógrafos.
Havia uma grande expectativa em torno da chegada de Mário Quintana.
Nos primeiros anos da Jornada, as refeições – almoço e jantar – eram realizados em minha residência. Meus familiares recebiam os convidados com muita alegria. No almoço, era oferecida comida típica da região serrana intercalada com saboroso churrasco. À noite, a saudosa Dona Olívia, a preta boa, a preta sempre de bom humor, que certamente está no céu – “Entra, Olívia, você não precisa pedir licença!” – comandava o jantar.
A homenagem a Quintana estava prevista para a manhã do sábado. Durante o jantar da sexta-feira, o poeta, por volta da meia-noite, serviu-se de cinco bananas à milanesa. Traçou uma a uma. Fiquei apavorada. O que poderia acontecer? Não morreria antes da homenagem?...
Na manhã de sábado, dirigi-me ao Turis Hotel. Seria uma manhã inesquecível certamente: o encerramento da Jornada e a homenagem a Mário Quintana. Todos aguardavam no saguão do hotel menos o poeta. O tempo foi passando, passando... Ninguém havia visto Quintana no salão de café. Pensei nas bananas... tão tarde... Teriam-lhe feito mal? Meu Deus, teria morrido?...
Nydia, muito amiga do poeta, foi até o apartamento. Precisava saber o que estava acontecendo. Ficamos muito apreensivos. Nydia também não voltava...
Quintana vestira seu único terno e fora até a pia para lavar os dentes. Abrira a torneira, abirira mais um pouco até desrosqueá-la. Um jato grande de água atingira-o, molhando sua roupa por inteiro. Não sabia o que fazer, pois não tinha outra. Nydia pediu-lhe que tirasse a roupa e esperasse debaixo dos lençóis e das cobertas. Estava muito frio. Enquanto isso, procurou um ferro elétrico para secar o terno e a camisa encharcados...
Quase vinte minutos depois, chegaram ao saguão Nydia e Quintana. Ele estava com um sorriso de moleque que lhe era peculiar. Ninguém falou nada. Dirigimo-nos ao Salão de Atos do prédio da Antiga Reitoria. Uma multidão impaciente, mas muito feliz, aguardava o poeta. Foi aplaudido de pé.
Nesta época, intercalavam-se três atividades: conferência individual dos escritores, debate com o público e debate entre escritores. Além disso, para último dia estava prevista uma homenagem para os convidados. Um time de estrelas da pena foi escalado para esta reunião inaugural: Antônio Carlos Resende, Armindo Trevisan, Carlos Nejar, Cyro Martins, Deonísio da Silva, Josué Guimarães, Moacyr Scliar, Sergio Caparelli. Além destes nomes todos, um já nacionalmente reconhecido poeta, Mário Quintana, foi também convidado, na condição exclusiva de homenageado. Entretanto, às vezes nem tudo o que está no protocolo transcorre como programado; isso fica claro em mais um relato da professora Tania Rösing, extraído do primeiro volume do Anedotário da Jornada, que você pode ler abaixo.
Homenagem ao poeta
Na primeira edição sul-rio-grandense da Jornada, em 1981, Josué Guimarães convidou o grande poeta gaúcho para participar do evento. Aos 75 anos, o mais querido poeta do Rio Grande do Sul estava muito lúcido, mas não tinha disposição para ministrar uma conferência. Dispôs-se a vir com Josué e Nydia para responder a perguntas, dar autógrafos.
Havia uma grande expectativa em torno da chegada de Mário Quintana.
Nos primeiros anos da Jornada, as refeições – almoço e jantar – eram realizados em minha residência. Meus familiares recebiam os convidados com muita alegria. No almoço, era oferecida comida típica da região serrana intercalada com saboroso churrasco. À noite, a saudosa Dona Olívia, a preta boa, a preta sempre de bom humor, que certamente está no céu – “Entra, Olívia, você não precisa pedir licença!” – comandava o jantar.
A homenagem a Quintana estava prevista para a manhã do sábado. Durante o jantar da sexta-feira, o poeta, por volta da meia-noite, serviu-se de cinco bananas à milanesa. Traçou uma a uma. Fiquei apavorada. O que poderia acontecer? Não morreria antes da homenagem?...
Na manhã de sábado, dirigi-me ao Turis Hotel. Seria uma manhã inesquecível certamente: o encerramento da Jornada e a homenagem a Mário Quintana. Todos aguardavam no saguão do hotel menos o poeta. O tempo foi passando, passando... Ninguém havia visto Quintana no salão de café. Pensei nas bananas... tão tarde... Teriam-lhe feito mal? Meu Deus, teria morrido?...
Nydia, muito amiga do poeta, foi até o apartamento. Precisava saber o que estava acontecendo. Ficamos muito apreensivos. Nydia também não voltava...
Quintana vestira seu único terno e fora até a pia para lavar os dentes. Abrira a torneira, abirira mais um pouco até desrosqueá-la. Um jato grande de água atingira-o, molhando sua roupa por inteiro. Não sabia o que fazer, pois não tinha outra. Nydia pediu-lhe que tirasse a roupa e esperasse debaixo dos lençóis e das cobertas. Estava muito frio. Enquanto isso, procurou um ferro elétrico para secar o terno e a camisa encharcados...
Quase vinte minutos depois, chegaram ao saguão Nydia e Quintana. Ele estava com um sorriso de moleque que lhe era peculiar. Ninguém falou nada. Dirigimo-nos ao Salão de Atos do prédio da Antiga Reitoria. Uma multidão impaciente, mas muito feliz, aguardava o poeta. Foi aplaudido de pé.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Anúncio dos finalistas do 7º Prêmio Zaffari Bourbon
Durante a manhã de hoje, foram divulgados em Porto Alegre os dez finalistas do 7º Prêmio Zaffari & Bourbon de Literatura (veja a lista no post abaixo). A presidente da comissão julgadora, professora Regina Zilberman, fez o anúncio, destacando a dificuldade em eleger, do universo de 228 inscritos, apenas dez finalistas. Além de Regina Zilberman, integram a comissão julgadora do 7º Prêmio Zaffari & Bourbon de Literatura o escritor Ignácio de Loyola Brandão, coordenador de debates das Jornadas Literárias; José Luís Jobim de Salles Fonseca, professor titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e professor Associado da Universidade Federal Fluminense; Miguel Sanches Neto, professor-associado de Literatura Brasileira na Universidade Estadual de Ponta Grossa; e Benjamin Abdala Junior, professor titular da Universidade de São Paulo e pesquisador do CNPq. Eles aparecem na foto, analisando os livros.
A solenidade foi acompanhada pelo reitor da Universidade de Passo Fundo (UPF), José Carlos Carles de Souza, promotora do evento em conjunto com a Prefeitura Municipal; pela coordenadora geral das Jornadas Literária, professora Tania Rösing; e pelo poeta Luís Coronel, representante do Zaffari &
Bourbon.
O grande vencedor será conhecido dia 22 de agosto, durante a abertura da 14ª Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo - RS. O Prêmio Passo Fundo Zaffari & Boubon de Literatura deste ano premiará o vencedor com R$ 50 mil a mais do que nas seis edições anteriores, totalizando R$ 150 mil e consolidando-se cada vez mais como um dos maiores prêmios da cena literária brasileira. A premiação é destinada ao melhor romance de língua portuguesa publicado nos últimos dois anos, no período entre junho de 2009 e maio de 2011.
O bibliófilo engajado
Em 2003, 2005 e 2007, convencionou-se honrar, durante a Jornada de Literatura, personalidades que incorporassem um modelo de intelectual para a Universidade de Passo Fundo com o título de Doutor Honoris Causa. O sociólogo francês Edgar Morin foi o primeiro a receber a láurea, seguido do escritor paraibano Ariano Suassuna.
Em 2007, por fim, a referência escolhida por sua contribuição teórica para a educação e a cultura foi o então maior bibliófilo brasileiro vivo, o paulistano José Ephim Mindlin (1914 – 2010). Advogado, empresário e cadeira 29 da Academia Brasileira de Letras, Mindlin foi dono da maior biblioteca privada do país, coleção de obras a que dera início aos 13 anos e que incluía diversas edições raras.
No relato abaixo, da autoria da coordenadora da Jornada, Tania Rösing, extraído do terceiro volume dos Anedotários, temos um breve olhar sobre a cerimônia acontecida em 2007, contada com pinceladas da sensibilidade de quem trabalhou por dentro do evento por anos, sempre visando à difusão da leitura.
A mensagem
"Em sua fala, após transformar-se em Doutor Honoris Causa da Universidade de Passo Fundo, aborda sua trajetória como leitor. Destaca seu envolvimento com os clássicos. Estimula todos e todas, adultos e jovens, a lerem os clássicos. Revela como iniciou sua coleção de livros, o que o tornou bibliófilo. Para cada um de nós que nos envolvemos com o livro, com a literatura, com a formação de leitores, o Bibliófilo do Brasil. Apresenta dedicatórias de livros de seu acervo como situações muito singulares de sua vida junto com sua esposa Guida, também apaixonada por livros.
Pasmem! Declara sua disponibilidade para trabalhar pelas Jornadas Literárias de Passo Fundo. Compromete-se com a comissão organizadora, com a Universidade e a Prefeitura Municipal a ser um embaixador das Jornadas. Valoriza o objetivo de formar leitores. Reconhece a luta de 28 anos na persecução do mesmo objetivo.
Mais uma surpresa: como gentileza ou como expressão da verdade que caracteriza Mindlin, afirma receber esta como a maior mensagem dentre as quais já recebeu em sua vida. Por quê? Por originar-se em meio a leitores. No contexto de uma Universidade diferenciada que assume identidade distinta das demais por investir recursos humanos e financeiros na luta pela formação de leitores independentes. Por construir parcerias que acreditam no mesmo objetivo, no valor do livro, no potencial dos leitores emancipados."
Confira os finalistas do Prêmio Zaffari & Bourbon, que concorrerão a R$ 150 mil
Adriana Lisboa, com o livro Azul-corvo;
Cristovão Tezza, com a obra Um erro emocional;
Helder Macedo, com Natália;
João Almino, com a obra Cidade Livre;
João Silvério Trevisan, com o livro Rei do Cheiro;
Luiz Ruffato, com Estive em Lisboa e lembrei de você;
Michel Laub, com Diário da queda;
Pepetela, com a obra O planalto e a estepe;
Rodrigo Lacerda, com Outra Vida;
Rubens Figueiredo, com o livro Passageiro do fim do dia.
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