sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Canceladas atividades do Festerê Literário desta segunda-feira e terça-feira

A visita do jornalista, cineasta, chargista, caricaturista e escritor Ziraldo, marcada para esta segunda-feira e terça-feira, 8 e 9 de agosto, em Passo Fundo, a Capital Nacional da Literatura, está cancelada em razão do mau tempo. Ziraldo estaria na cidade para uma série de atividades do já tradicional Festerê Literário, evento que prepara os moradores de Passo Fundo e da região para a movimentação cultural da 14ª Jornada Nacional de Literatura, que acontece de 22 a 26 de agosto, no Circo da Cultura, Campus I da Universidade de Passo Fundo (UPF).

A comissão organizadora da 14ª Jornada Nacional de Literatura já está organizando outra data para a vinda do autor.

Novo espaço cultural em Passo Fundo homenageia um escritor especial

Hoje, está sendo inaugurado um novo espaço cultural em forma de livro aberto em Passo Fundo, com 96 metros quadrados: o Quiosque da Leitura Roberto Pirovano Zanatta. Localizado na Praça Antonino Xavier e Oliveira, em frente ao Hospital da Cidade, o espaço homenageia o escritor prodígio originário da cidade, autor de três livros infantis que faleceu em 2008 com apenas 10 anos, vítima de um tumor cerebral.

O espaço cultural conta com acervo multimídia e oferecerá à comunidade cursos de inclusão digital, nos mesmos moldes do Largo da Literatura, localizado na Praça Armando Sbeghen. O funcionamento será diário, das 8h30 às 17h30. Todas as atividades a serem realizadas contam com a parceria entre a Universidade de Passo Fundo (UPF), Prefeitura de Passo Fundo e o Instituto Roberto Pirovano Zanatta. E já a partir de hoje acontece uma intensa programação cultural com contação de histórias e artistas convidados.



Democratizar o acesso à arte e espalhar as suas sementes criativas pela cidade é uma maneira apropriada de homenagear Roberto Zanatta. A história dele é comovente. Com apenas 8 anos, ele publicou o seu primeiro livro “O explorador e suas aventuras”, uma história recheada de peripécias, personagens que encolhem, ilhas perdidas, monstros e uma missão secreta. Desafiado pela professora Tania Rösing, o jovem escritor foi além. Surgiu então “O caça-monstros”, onde o barbudo Pip é o destaque. Apaixonado pelos contos misteriosos, ele escreveu também “Mr. Xadrez em o desaparecimento do diamante”, uma investigação relacionada ao desaparecimento de um anel com um diamante de 80 quilates. Não bastasse toda essa produção, a mãe do menino garante que ele já tinha quatro outras obras em andamento (uma delas sobre guerra e outra sobre seu convívio hospitalar) e mais dois contos de mistério quase finalizados.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Concurso de contos em Passo Fundo

Os contistas que deixaram de participar do 12° Concurso Nacional de Contos Josué Guimarães têm agora uma outra chance de ter seu talento exposto e reconhecido em plena Jornada Nacional de Literatura: até o dia 15 de agosto, estão abertas as inscrições para o Concurso Conto Premiado Colombo.

Esta competição literária é fruto da parceria das Lojas Colombo, uma das patrocinadoras da Jornada, com a Universidade de Passo Fundo e terá o vencedor anunciado durante a Jornada (de 22 a 26 de agosto).

Qualquer interessado pode participar, enviando uma história de até 15 linhas sobre o tema "Eu posso e mereço ter mais cultura". Para isso, basta retirar uma ficha de inscrição na filial da Colombo em Passo Fundo (Avenida Brasil, 231 - Centro).

Os prêmios disputados são um notebook, uma impressora e um mouse sem fio, respectivamente para primeiro, segundo e terceiro colocados.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Sem garantias, vale o esforço

O ilustrador e escritor Ricardo Azevedo se dedica principalmente à produção infanto-juvenil de narrativas. Mas, além disso, o paulistano autor de mais de cem livros - alguns deles publicados na França, na Alemanha, no México, Portugal e Holanda - comenta: "Num ambiente babaca como o que muitas vezes tem sido oferecido aos jovens, ler para quê?"

Além de escritor de ficção e poesia, Azevedo é Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo e pesquisador da cultura popular brasileira. Entre os principais temas, debate frequentemente sobre o uso da literatura ficcional na escola.

Ele participará, no dia 28 de agosto, às 10 horas, de uma conversa com alunos do 6° ao 9° ano escolar na Jornadinha Nacional de Literatura. O encontro acontece no Circo da Cultura, na Universidade de Passo Fundo.

Questionado sobre a importância de levar clássicos infantis ao encontro das crianças, Azevedo é realista: "Claro que sim. Mas o mais importante é que as crianças convivam com adultos que sejam leitores e de fato gostem de livros". Ele não vê uma maneira de garantir o interesse infantil pela leitura, visa à maior acessibilidade de diferentes leitores, recorrendo a uma linguagem popular em seus textos.

Além disso, ele não culpa o crescente fluxo de informação, ao qual as crianças ficam cada vez mais expostas com as novas mídias, pelo desinteresse por livros impressos. Não apenas vê potencial nas novas tecnologias para a exploração de ideias e informação, mas, acima de tudo, os encara como suportes para a criação, que carecem de uma contextualização: "O que afasta o leitor da literatura, e das paixões que valem a pena, é uma falta de sentido geral ocasionada pelo consumismo, o individualismo exagerado, a despolitização, uma visão apenas técnica da vida e do mundo e coisas assim."

Por isso, ele vê nos encontros entre autor e público uma forma de humanizar a literatura e sua criação: quando a criança se identifica com o autor, pode ver "um sentido maior no ato de ler".

terça-feira, 2 de agosto de 2011

O dia em que Machado de Assis pairou pela Jornada

As impressões cômicas registradas nos anais da Jornada são as que compõem em maior parte os Anedotários do evento. Entretanto, passada a primeira sensação de constrangimento ou graça na leitura sobre acontecimentos inusitados, comumente se revela um potencial filosófico e até mesmo pedagógico dentro da história. O relato abaixo é da autoria de Tânia Rösing, organizadora da Jornada de Literatura, e foi extraído do terceiro Anedotário da Jornada. A história traz um desses tais momentos embasbacantes, que, justamente por sua imprevisibilidade, abrem brechas para a percepção de uma certa questão por novos ângulos.


Presença de clássicos na Jornada

Os preparativos de um seminário, de um curso, de um encontro, abrangem a elaboração correta dos certificados a serem conferidos aos participantes. Em 2007, por ocasião da 12ª Jornada, estava prevista a realização do 2° Encontro Nacional da Academia Brasileira de Letras. Entre os acadêmicos convidados, Marcos Vinicios Villaça, presidente da ABL, Domício Proença Filho, Antônio Carlos Secchin, Lêdo Ivo, Moacyr Scliar, Murilo Mello Filho, Nelson Pereira dos Santos, Evanildo Bechara. Cada convidado falaria sobre um escritor clássico com o intuito de estimular o público presente, constituído de leitores em formação, a buscar os clássicos brasileiros, a perceber o valor das obras canônicas entre suas leituras.
O funcionário encarregado de relacionar, no verso do certificado, o nome dos conferencistas, incluiu, a partir da programação constante do folder, na seqüência, na condição de conferencistas, nomes como os de Gilberto Freyre, Tomás Antônio Gonzaga, Raimundo Correia, Machado de Assis, Rui Barbosa. Não distinguiu, na leitura do programa, conferencista e autor clássico cujas obras seriam analisadas pelos acadêmicos referidos. Que emoção atingiria todos e todas se isso fosse verdade! Tudo é viável no universo ficcional...
Duas constatações importantes: ou o funcionário estava muito desatento no momento da leitura ou está incluído entre os não leitores brasileiros, público alvo da Jornada, cujo objetivo maior é a formação prioritária de leitores literários.
Às vezes, dúvidas como esta surgem em nossas mentes: é preciso continuar lutando pela formação de leitores, de mediadores de leitura, pela democratização do acesso ao livro quando o nosso próximo, que está mais próximo, não pe atingido pelas ações e pelos efeitos de toda a movimentação cultural que desenvolvemos?
Em seguida, a certeza. Situações como essa transformam-se em estímulo à continuidade e à ampliação do trabalho árduo, mas essencialmente gratificante, em que se constitui o processo de formação de leitores.
O desafio, certamente, está em aproximar os indivíduos da literatura desde a infância inicial, permitindo-lhes conviver com a sonoridade e o ritmo da palavra, com a pluralidade de sentidos. É o desafio ao conhecimento dos autores. É o despertar do interesse pelos títulos das obras. É o estabelecimento da curiosidade pelos ilustradores e pelas técnicas empregadas em suas criações, viabilizando, assim, nessa caminhada, posteriormente, o envolvimento com os clássicos.
A situação relatada surpreendeu, de forma negativa, a comissão organizadora. Mas certamente todo o público participante recebeu a bênção dos nossos clássicos, por intermédio de suas obras apresentadas com muito brilho pelos acadêmicos presentes.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A mexicana Laura Niembro participa do 10º Seminário Internacional de Pesquisa em Leitura e Patrimônio Cultural



Nesta edição da Jornada, acontece o 10º Seminário Internacional de Pesquisa em Leitura e Patrimônio Cultural, cujo tema é “Culturas, Leituras e Interações: das comunidades orais às redes sociais”. Entre os diversos debates, a socióloga e jornalista Laura Niembro participa da mesa que vai discutir o tema "Experiências de formação de leitores: ampliando redes", no dia 26 de agosto, das 8h30 às 9h30. Os outros debatedores são Flourich Klink (do MIT, dos Estados Unidos); Elias Torres Feijó (da Universidad de Santiago de Compostela, da Espanha); César Piva (do Programa Cultura Viva); Maria Elvira Charria Villegas (do Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e Caribe, Cerlalc); Rita de Cássia Tussi (do Programa Bebelendo -- Primeira Infância Melhor) e Natália Klidzio.

Apesar de ter se formado em Sociologia na Universidad de Guadalajara, Laura se destacou como criadora dos primeiros suplementos de tecnologia dos jornais mexicanos. Ela fez parte da equipe fundadora do jornal Siglo 21, em Guadalajara, onde criou um dos primeiros suplementos de tecnologia do México, o “Binario”. Mais para frente, fundou o jornal Público, onde continou a trabalhar com o tema de tecnologia no suplemento “Ciberia”. Nesse jornal, ela acabou como chefe da Direção de Operações. A partir de 2001, ela se tornou diretora de conteúdos da Feira Internacional do Livro de Guadalajara. Neste cargo, ela coordena o programa literário e cultural dessa feira.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Anedotas literárias


Os Anedotários da Jornada são uma série de livros dedicados a expor os bastidores da Jornada de Literatura através dos anos. Episódios engraçados, tensos, inusitados, ridículos e outros mais compõem este registro histórico. A antologia conta com três livros, somando o total de 95 relatos de escritores participantes e de membros da organização do evento.

São momentos como o retratado no texto “Reiteradas ‘transgressões’” - transcrito abaixo diretamente do segundo volume do Anedotário - em que uma instituição nacional da literatura do quilate da Jornada se vê despida da seriedade e revela a imprevisibilidade das relações humanas que a constituem.



Reiteradas "transgressões"

"O serviço médico da Jornada foi acionado para atender a ma emergência. Um dos artistas que participou das performances realizadas na abertura de cada sessão da 3ª Jornadinha Nacional de Literatura estava hospedado no motel. As mudanças na temperatura, as atividades no Circo da Cultura com roupas inadequadas para aquela temperatura, a locomoção em espaço aberto e fechado provocaram uma grande gripe nesse jovem. O serviço médico da Unimed deslocou-se ao motel para avaliar o estado de saúde/doença do artista.

O motorista da UPF, encarregado de levar a médica de plantão, avisou a coordenação de que precisaria realizar esse deslocamento até o motel. A médica, uma mulher jovem e simpática, de estatura média, demonstrava um certo constrangimento. Ao entrar no apartamento do motel, visualizou o paciente deitado, totalmente coberto, com muito frio, em meio à cama redonda. Solicitou-lhe que se deslocasse para a beira da cama, deixando seus pés do lado de fora, descobertos, a fim de poder examiná-lo.

Constatou um estado gripal profundo, acompanhado de uma tosse severa. Aviou a receita. Solicitou ao motorista que, após deixá-la na Central Médica, comprasse os remédios e os levasse ao paciente para iniciar o tratamento. Dessa forma, o carro com a logomarca da UPF entraria pela segunda vez no motel em menos de uma hora.

Após a ingesta dos medicamentos, o paciente não apresentou a melhora esperada. Novamente acionado o serviço médico. O carro com a logomarca da UPF entraria pela terceira vez no motel, na mesma tarde. A médica identificou possíveis sinais de uma pneumonia. Solicitou um RX de tórax, que deveria ser feito no centro da cidade.

Enquanto o motorista levava a médica até o Circo da Cultura, o paciente ficou se preparando para ir até uma clínica.

O carro entrou pela quarta vez no motel. Até hoje, não se tem certeza se isso foi verdadeiro ou foi uma história inventada para justificar as entradas do carro com a logo da UPF no motel, por quatro vezes, na mesma tarde. Quanto ao estado do motorista, treme até hoje com medo de não ter sido entendido pela administração da Universidade..."



A Editora da Universidade de Passo Fundo é o órgão responsável pela publicação dos anais bem humorados da Jornada. Você pode adquirir o primeiro volume da coleção pelo site da editora.